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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Trato pessoas
como poemas alheios:
Decifro como quero
Finjo que me identifico
Distorço com devaneios.

Escolho papéis e semblantes
dentre poemas e pessoas
para atuar papéis semelhantes
na minha peça de ficção
intitulada Proposital Ilusão.
A culpa é minha
se todos mentem;
Os personagens, eu quem criei
as ilusões, igualmente.

Crio atributos inexistentes,
mal ornamentos.
Penso que acrescentar sinônimos
a seres anônimos
não altera seus significados.
Continuam com o mesmo
conteúdo semântico;
já o sentimental,
nem tanto.

Assim vou lendo pessoas,
com a falsa erudição
de palavras distorcidas
e com a dissimulação
das minhas próprias frases
mal escritas
(porém bem vestidas
de uma irrealidade despida,
desavergonhada).
Palavras inseridas em corpos
de pessoas desavisadas,
mal sabem que são habitadas
por ilusórias e invasoras 
investidas.

Mas já que tudo que é forjado
é tão sujeito a inconstâncias,
quando as palavras
dos poemas alheios
caem em dissonância,
faço um cobertor
das folhas rasgadas
e adormeço
no colo
de palavras e pessoas
editadas,
adulteradas.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Já não sinto a tua falta
Porque ela não é tua,
É só minha.
O que eu sinto é a falta
Que eu já não te faço.
Falta de fazer falta.








Sinto saudade de sentir
A tua saudade
De mim.




Se falta você me faz,
Então falta eu sou
E nada mais (  ).

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Queria que meus soluços
Fossem dessa saudade
A solução,
Mas você é os meus soluços
Por eu não ser nem um pouco
da tua solidão.