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sexta-feira, 12 de julho de 2013



Você fumava cigarros contando drama,
tuas verdades não eram menos embaçadas que a fumaça
nem eu menos pálida
nem você menos passageira.
Fumava cigarros confundindo desilusões
as minhas, as tuas
e tragava fragilidade
a minha, atua
encenando pra ser digna
de fazer parte dos teus dramas.

Emocionalmente fodida,
você me envolvia em fumaça
palavras premeditadas
e toques aparentemente acidentais,
tudo previamente planejado
pra me entorpecer.
E eu, por ser leve como um cigarro,
você manipulava entre os dedos
me levando à boca
de vez em quando
que era pra alimentar meu vício
enquanto alimentava o teu.

O que sobrava de mim,
ex-trago,
era arremessado
da janela do 5° andar
do teu apartamento.
Estrago.

Poluindo o ambiente
porque nunca foi seu dom preservar.
E o que eu aprendi aqui,
no chão sujo dessa parada de ônibus,
é que todo mundo fala mal
de quem joga restos no chão
mas todo mundo pisa
e ninguém apanha.

Pisa até quem,
nessa vida,
já foi bituca
de alguém.

sábado, 6 de julho de 2013



Lembra quando você interpretava meu silêncio como mistério
e eu interpretava teu olhar perdido como um universo paralelo?

Era só meu medo de te falar
Era só teu medo de me olhar.

E o mistério foi parar num universo paralelo...
nos abandonamos.

Não preciso que tu combine comigo,
apenas que descubra minha combinação.
Ando precisando mesmo é de ser decifrada.
E se não puderes me compreender,
que ao menos compreenda
o que é ser incompreendida
e me ofereça,
senão o código do que não digo,
ao menos um abraço:
Compartilhamento da mútua incompreensão.


Porque tua pele não sabe de nada, 
tua pele não entende,
tua pele é indiferente.
Mas conforta meu apelo.

Tua pele não decifra 
a cifra 
dessa minha canção deprimente.

Tua pele não decodifica, mas fica,
por favor, fica.