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sexta-feira, 12 de julho de 2013



Você fumava cigarros contando drama,
tuas verdades não eram menos embaçadas que a fumaça
nem eu menos pálida
nem você menos passageira.
Fumava cigarros confundindo desilusões
as minhas, as tuas
e tragava fragilidade
a minha, atua
encenando pra ser digna
de fazer parte dos teus dramas.

Emocionalmente fodida,
você me envolvia em fumaça
palavras premeditadas
e toques aparentemente acidentais,
tudo previamente planejado
pra me entorpecer.
E eu, por ser leve como um cigarro,
você manipulava entre os dedos
me levando à boca
de vez em quando
que era pra alimentar meu vício
enquanto alimentava o teu.

O que sobrava de mim,
ex-trago,
era arremessado
da janela do 5° andar
do teu apartamento.
Estrago.

Poluindo o ambiente
porque nunca foi seu dom preservar.
E o que eu aprendi aqui,
no chão sujo dessa parada de ônibus,
é que todo mundo fala mal
de quem joga restos no chão
mas todo mundo pisa
e ninguém apanha.

Pisa até quem,
nessa vida,
já foi bituca
de alguém.

2 comentários:

  1. E quando o amor não é uma coisa boa? E quando ele é a guerra e o acasalamento de dois egos doentes? E quando o amor só produz poemas ébrios e lixo não-reciclável? Nenhuma felicidade. Nenhuma.

    Moça, você é sensacional. Perdoe-me, mas escreve bem pra caralho!

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  2. Eu li o seu blog inteiro, e fiquei com vontade de guardá-la numa caixinha de vidro. Escreva mais, por favor.


    Blog Bruna Morgan|Universo em bolha de tinta

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